Seguro, Sistema e Problemas de Saúde

Dizem que o ser humano começa a sentir os problemas da velhice a partir dos 27 anos. Poucos meses antes de completar meus 28, durante o inverno passado, pude atestar a esse fato. Todos os dias com temperaturas muito baixas, por volta de -10 graus, meu joelho doía. Doía muito. Subir e descer escadas virou um problema. Correr (pra pegar o ônibus, por exemplo), ficou impossível. Até que chegou o dia, em Dezembro, que eu não conseguia apoiar meu corpo (que está meio pesadinho, rs) nele. Foi quando precisei ir ao hospital daqui pela primeira vez. E foi quando eu parei pra ler a apólice do meu seguro. Bem, vou explicar melhor.

Aqui, esse lance de seguro saúde funciona da seguinte forma: Se você está na Europa à turismo, precisa ter um seguro de emergência. Alguns cartões de crédito oferecem esse seguro, se você comprou sua passagem com ele. Ele é realmente só para emergências. Se você vai praticar esportes de inverno, é preciso comprar um seguro que cubra esse tipo de atividade, pois é de alto risco. Mas vale a pena, porque as chances de você quebrar a perna esquiando não são baixas.

Se você está na Europa com visto de residência temporária de longo prazo (residência por mais de 180 dias), o seguro só de emergência não serve. Você precisa comprar um seguro que eles chamam aqui de “compreensivo”, que se assemelha ao seguro que os residentes permanentes e cidadãos têm = o público .

Existe aqui também um sistema privado, com médicos particulares, mas esses médicos não tem contratos estáveis com as empresas de seguro, então eles acabam tratando só quem tem muita grana.

No meu caso,  tenho acesso ao sistema público completo porque sou residente de longo prazo, e sou funcionária de empresa registrada na República Tcheca. Qualquer pessoa nessas condições recebe o cartão verdinho da VZP (Všeobecná zdravotní pojišťovna / General Health Insurance Company).

Observação importante: Se você é empregado de qualquer empresa aqui, você tem direito a esse seguro, mas sua família não. Você pode ter 5 filhos, 2 cachorros e uma esposa grávida. Se só você for trabalhar aqui, só você terá o seguro. Para todos os outros membros da sua família você tem que comprar os planos particulares.

Cartão do

Cartão do “SUS” Tcheco

Pois bem, voltando ao infortunado dia em Dezembro, comecei a ler minha apólice. Na época, eu não estava trabalhando, e meu seguro não era o compreensivo porque eu não sabia dessa diferenciação (em Janeiro tive que renovar e dessa vez comprei o certo).

Na apólice, a definição de emergência era qualquer evento isolado que acontecesse depois da aquisição do seguro. Falava mais um monte de coisas que não lembro. Mas, para me certificar, liguei na central de atendimento (também pra saber qual o hospital mais perto que aceitava o tal seguro). Tive que ouvir do atendente que esse seguro era somente para casos de vida ou morte! Questionei e o confrontei com o que estava escrito na apólice, e ele não soube me dizer mais nada além do nome e endereço do Hospital. Imagine, que absurdo: você quebra a perna numa queda na rua, e se não estiver em risco de morte, não poderá ser atendido? O rapaz não sabia de nada.

Um colega – Brasileiro também – que tem carro se ofereceu a me levar ao hospital, pra eu não ter que andar muito, e meia hora depois estávamos todos no Buhonice, hospital da universidade. As enfermeiras é que fazem o atendimento inicial, e não recepcionistas, como no Brasil (não sei se foi por causa do horário, era por volta das 19h). Todas falavam Inglês. Me perguntou o motivo da visita e imediatamente me encaminhou para fazer Raio-X (que eu sabia que não ia mostrar nada, pois não havia acontecido nenhum trauma). Mais uma meia hora e eu estava passando com o Ortopedista – que também falava inglês – que não constatou nada no exame, mas como eu disse que doía muito, me deu uma injeção milagrosa e pediu que eu aguardasse o outro médico especialista, que estava em cirurgia mas que iria me atender imediatamente depois. Optei por ir embora, já que a dor estava passando, e fiquei de voltar no dia seguinte para passar em consulta com o tal especialista. Não precisei pagar absolutamente nada.

No dia seguinte não retornei pois não doía mais, e prometi pra mim mesma que ia marcar uma consulta numa clínica assim que o seguro novo começasse a valer. Milagrosamente, não sei se porque não fez mais tanto frio, ou se eu não saí de casa nos dias congelantes, não doeu mais. Então, é claro, não fui a médico nenhum. Como boa Brasileira, vou deixar pra quando começar a doer de novo, no fim deste ano, hehe.

Um outro causo: o Lucas precisou fazer um pequeno procedimento numa unha encravada. Ele foi num Clínico Geral que o encaminhou pra um outro médico e no dia seguinte fez o procedimento. Dez dias depois retornou para retirada dos pontos e pronto. Simples assim.

Nesse último caso, ele usou a Medicover, que é um benefício que a IBM oferece, e que agora eu tenho também!
A Medicover é uma empresa Sueca de serviços médicos. Eles estão presentes em vários países da Europa, e aqui na República Tcheca têm vários médicos credenciados, além de duas clínicas super bem equipadas (uma em Praga e outra aqui).

A vantagem de ter esse plano extra é ter alguns serviços diferenciados, por exemplo: garantia de consulta agendada para no máximo 7 dias, atendimento por telefone para dúvidas sobre saúde, vacinação anual contra gripe, fisioterapia e reabilitação etc, além de poder usar a Medicover em qualquer país que ela esteja presente.

Cartão do plano privado que temos pela empresa.

Cartão do plano privado que temos pela empresa.

Cada pessoa tem um Clínico Geral, que é o “médico de família”, mas não é preciso de referência deste pra poder passar com algum especialista. É só marcar diretamente com quem você quer passar.

O sistema de saúde aqui é muito bom. É mais barato (pro contribuinte) do que outros países da União Europeia, e é tão bom quanto.

Se você quiser saber o preço dos seguros, veja diretamente no site das operadoras. Eu tive dessas duas empresas: PVZP e Slavia. O PVZP é uma variante do VZP (que é o público). É o mais comum e o mais aceito no país todo. O Slavia é bem aceito também, e mais barato:  https://www.pvzp.cz/en/ e w.slavia-pojistovna.cz/en/

Se você vem à turismo, tem muito mais opções: todos os bancos comercializam esse tipo de seguro, além das operadoras Porto Seguro, Allianz etc. Um mês de viagem vai custar mais ou menos R$300 (sem os esportes de inverno).

Qualquer outra dúvida, é só deixar um comentário!

Até a próxima!

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