Sobre o último mês

Amigos leitores, me desculpem pelo desaparecimento. Mas, explico, é compreensível: comecei a trabalhar! (Barulho de fogos de artifício)

Quem convive comigo sabe que estou esperando esse início na IBM desde Novembro do ano passado. Esse foi o período mais longo que levei pra começar a trabalhar na minha vida:

– Março 2014 – entrevista (ainda estava no Brasil, entrevista por telefone). No mesmo mês, fico sabendo que fui aprovada mas que a vaga ainda não existe e que devo aguardar.
– Setembro 2014 – recebi a oferta oficial da empresa (já estava em Brno) e a previsão de começo para Novembro.
– Outubro 2014 – fico sabendo que, por causa do meu tipo de visto aqui, só vou poder solicitar a prolongação (que me dá direito a trabalhar) em Dezembro, e então meu início ficou marcado para Fevereiro.
– Dezembro 2014 – fico sabendo que, por causa do meu tipo de visto aqui, preciso esperar o Lucas completar 6 meses de residência pra eu poder solicitar a extensão do meu. Data de início é reagendada para Abril.
– Fevereiro 2015 – Um mês antes de o Lucas completar os 6 meses de residência, submito meu pedido de visto.
– Março 2015 – Uma semana depois do meu aniversário, recebo a confirmação que meu visto foi aprovado, e que agora devo esperar a confecção do meu cartão de residência, que demora 2 semanas.
– 20 de Abril de 2015 – Meu primeiro dia na IBM 🙂

E minha semana que era a mais tranquila do mundo, passou para a mais louca. De segunda a quinta eu saio da empresa e vou direto para outros compromissos, chego em casa tarde, cansada e com fome. Não me lembrava como era, afinal, foram quase 10 meses sem trabalhar (desde Julho do ano passado, quando pedi demissão para cuidar da nossa mudança pra cá).

Pronto, taí a explicação do sumiço, com direito a timeline e tudo, pra posteridade. Foi tanta incompetência da empresa de consultoria de visto, que presta serviço pra IBM, que eu tive que correr atrás de muita informação eu mesma e agora tô manjando tudo de Vistos para a República Tcheca. Vou abrir uma consultoria haha

Desde a Páscoa, bastante coisa mudou pela cidade. O clima está perfeito – na casa dos 20 graus – e muito sol!

Charlie curtindo o sol :)

Charlie curtindo o sol 🙂

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Os bares e restaurantes já colocaram mesas nas calçadas e as ruas estão cheias de gente.

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As árvores estão lindamente floridas e com folhas verdinhas, e os parques cheio de crianças correndo.
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E agora está aberta a temporada de Limonadas! Todos os lugares da cidade têm essa delícia, que eu ADORO. E é do jeito que eu gosto: somente água com muito limão e gelo, e, às vezes, mel.
Limonada aqui não quer dizer necessariamente que é de limão (!). Tem limonada de limão verdinho, limão amarelo (“siciliano”), framboesa etc. Minha preferida é de limão mesmo, verde ou amarelo, tanto faz! 🙂

Refrescante!

Refrescante!

O mês de maio aqui tem dois feriados: o dia 1, que é o Dia Mundial do Trabalho, e o dia 8 que é o Dia da Libertação.
Esse último é celebrado por vários países, na maioria Europeus, e marca a libertação de algum regime opressor, ou uma revolução. É como se fosse um “dia da Independência”. No caso da República Tcheca, e vários outros países da Europa, marca a libertação da Alemanha nazista.

Um pouco de História:
Entre 1939 e 1945, durante a Segunda Guerra, a então Tchecoslováquia foi invadida pelos nazistas. Essa invasão foi o objetivo de Hitler por muito tempo, já que eles já tinham invadido a Áustria e a Tchecoslováquia ficava bem no meio do caminho. A “desculpa” dele foi que haviam muitos Alemães sendo privados de seus direitos/privilégios nesse território. Então em março de 1939 ele, do alto do Castelo de Praga, declarou a ocupação da Boêmia e Morávia.

Nazistas na Ponte Carlos, Praga, 1939

Nazistas na Ponte Carlos, Praga, 1939

Invasão Nazista em Praga, 1939

Invasão Nazista em Praga, 1939

Nazistas fazendo a guarda do Castelo de Praga, 1939

Nazistas fazendo a guarda do Castelo de Praga, 1939

Em maio de 1945, as tropas Tchecoslovacas tomaram conta da fronteira e começaram a expulsar os Alemães, com a ajuda das tropas Americanas. E aí marcou-se o dia 08 de Maio.

Alemães esperando para serem deportados.

Alemães esperando para serem deportados.

Tchecos tocando o terror nos Alemães

Tchecos tocando o terror nos Alemães

Alemães deportados, em Berlin.

Alemães deportados, em Berlin.

Mais ou menos isso 🙂

Agora que o tempo está maravilhoso, vamos começar a explorar mais a cidade e logo vou ter mais coisas pra contar por aqui!

Um abraço, e até logo!

Na shledanou!

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Mudança de Hábito

Hoje conversei com uma aluna sobre algumas das diferenças culturais que mais senti por aqui e resolvi compartilhar aqui no blog também.

Eu nunca havia pisado na Europa antes de virmos em definitivo no ano passado, então não sabia muito o que esperar. O velho continente, um lugar tão explorado há tanto tempo, que passou por tantas mudanças na geografia, política e cultura, imagina então nos costumes?

Uma coisa que notei logo quando cheguei foi como as pessoas não “sabem” andar de ônibus. Aqui é possível entrar no ônibus/tram por qualquer porta, porque não tem cobrador. Então as pessoas entram e, ao invés de irem se espalhando pelo espaço do corredor pra dar espaço pras outras pessoas que ainda vão entrar, elas simplesmente param bem nos espaços das portas. E o mais incrível? Ninguém se incomoda com isso. Quem quiser ir mais adentro, pede licença e passa. Ninguém olha feio, ninguém olha torto, nem xinga ou pede pra dar mais espaço. Cada um no seu quadrado.
Na hora de descer no ponto, a mesma coisa: peça licença e passe pelo espacinho que vão te dar.

Outra coisa que notei, seguindo a mesma linha, foi que a maioria não pede ajuda ou gosta de ser ajudado. Principalmente as pessoas mais velhas. Já vi senhoras com uma super dificuldade de subir no ônibus e ninguém mexe o dedo pra ajudar. Já vi gente caindo no meio da rua com várias pessoas por perto e não vi aquele impulso de ajudar em ninguém. Eu tenho que até lutar contra esse impulso às vezes, porque primeiro, não sei nem falar “opa, quer uma ajuda?” em Tcheco e, segundo, não sei qual vai ser a reação da pessoa ao receber essa ajuda não esperada.

Aqui, o lema é: Cada um com seu pobrema  problema. Se vira. Dá seus pulos. O que tem seu lado bom, porque isso vale pra qualquer coisa, inclusive se você for assim ao mercado:

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Ninguém vai dar a mínima

Um amigo nosso, por exemplo, já viu uma moça levantando a saia pra arrumar a meia calça, no meio da rua. Ele notou porque não é daqui então achou estranho, mas ninguém mais percebeu ou disse alguma coisa.

É claro que, se você pedir informação pra alguém eles vão ajudar, ou pelo menos tentar. Eu já pedi uma vez pra uma senhora numa banca de jornal, e mesmo ela não falando nada de Inglês e eu só sabendo falar “autobus IKEA” em Tcheco, ela se esforçou e conseguiu me ajudar. Quando vamos a restaurantes em que os atendentes não falam Inglês, eles sempre se esforçam pra entender nosso Tcheco e “mimiquês”.

Já aconteceu de mendigo me falar “have a nice day”. Já aconteceu de garçons me ignorarem completamente em restaurante. Vai da pessoa, do humor dela no dia, do meu humor no dia.

A “indiferença” do tcheco é algo que estou aprendendo que não é pessoal. É puramente cultural.

Uma outra diferença nos hábitos aqui: sabe quando você vai contar alguma coisa com os dedos da mão? A gente faz assim:

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Mas, aqui, eles fazem assim:

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Até hoje eu me perco nisso e faço a maior confusão quando estou comprando alguma coisa.  Não sei a razão disso, mas pra mim é quase um contorcionismo. Fazer o 4 assim é muito difícil!!!

Uma outra coisa, e essa eu demorei um pouco pra perceber, é que quando você entra nos bares/restaurantes, você mesmo acha uma mesa e senta. Não tem essa de esperar alguém pra te acompanhar até a mesa. É aquele negócio: se vira aí colega.

O que mais?

Aqui fala-se “tchau” no cumprimento e na despedida, como em Italiano.

É considerado rude não dizer “dobrou chut’ ” (bom apetite) antes de comer.

São só 6 meses por aqui e tenho certeza que com o passar do tempo vou descobrindo mais diferenças. Deixe um comentário se você, leitor de Brno, se lembrar de mais alguma coisa desse tipo!

É isso aí.

Na shledanou!