Sobre morar fora

Muitos têm esse sonho: sair do Brasil e viver num país melhor. Melhor educação pros filhos, melhor saúde, melhor segurança, melhor tudo. “Quero qualidade de vida”, a maioria diz, enfurecidos com o caminhar da economia e da política. Mas não têm a menor ideia de como é viver fora e o resultado dessa escolha.

A maioria das pessoas que dizem querer morar fora não imagina que viveriam uma vida parecida com a de suas empregadas domésticas: ter que pegar ônibus pra trabalhar, e as vezes passar um tempão se locomovendo; morar de aluguel; não ter empregada e ter que limpar o próprio vaso sanitário (que absurdo!); não ter a manicure que vai em casa e cobra R$20 pra fazer a mão – ou ter, e pagar MUITO mais caro por isso!; matricular os filhos em escola pública; ir ao hospital público e, sim, muitas vezes esperar horas pelo atendimento.
Quem está acostumado com a vida “bem-bom” de algumas classes do Brasil, dificilmente se acostuma com essa vida mais regrada e menos luxuosa.

Mas, afinal, o que essa pessoa achou que qualidade de vida seria?

Pra mim, é poder ler meu livro tranquilamente no caminho pro trabalho. É poder caminhar até meu restaurante preferido. É poder sair pra beber com os amigos e, ao voltar tarde, contar com o ônibus pontualmente. É poder ter acesso a educação, saúde, segurança etc sem ter que pagar a mais por isso. É ter mais controle sobre a própria vida. É ver os dias passarem. É tirar uns dias de férias sem que o chefe te olhe torto. É poder viajar com a família sem ter que vender um rim.
Devagar. Um dia após o outro. Estação por estação.

Sem parcelamento no cartão, sem Sem-Parar. Sem pressa.

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