O dia em que eu apresentei sobre o Brasil para crianças Tchecas

Ontem aconteceu algo super legal! Pelo título dá pra ter ideia e quem viu meu Facebook ontem também já sabe. Mas aqui tem tudo tim-tim por tim-tim. Antes de contar, porém, preciso fornecer um contexto. Vamos a ele.

Depois que o Lucas foi aprovado pra entrar na IBM daqui, em Fevereiro de 2014, começamos a procurar alguma vaga em que eu me encaixasse na IBM também, afinal eu tenho mais de 4 anos de experiência na área e o domínio de Inglês me ajuda muito, mesmo tendo estado fora da área de TI há 3 anos. Achamos uma vaga e fiz entrevista pra ela em Março. Recebi a aprovação duas semanas depois, e fiquei esperando pelo contato do RH da IBM para prosseguirmos com a parte de visto/contrato etc. Infelizmente, justamente nessa época, a IBM entrou em freezing de contratações, ou seja, mesmo tendo a vaga, não podem contratar ninguém até que tudo se “descongele”. E esse descongelamento foi acontecer somente em Setembro, quando já estávamos aqui. Então infelizmente não consegui pedir meu visto de trabalho estando no Brasil.
A IBM gostaria que eu começasse a trabalhar em Novembro/Dezembro de 2014, alguns meses depois da minha chegada, tempo suficiente pra eu fazer a troca do meu visto de dependente. Para surpresa de todos, descobri (através de uma empresa de consultoria) que eu não poderia solicitar o visto logo após minha chegada, que existia um prazo a ser obedecido, e que somente a partir de Dezembro eu poderia solicitar. OK! IBM empurrou minha data de início para Fevereiro, então. No início de Dezembro enviei minha aplicação para a prolongação do visto de dependente (que me dá permissão de trabalhar em qualquer lugar pelo período que o Lucas tiver o visto dele), e só então os oficiais do departamento de Imigração me informaram que, para eu ter esse visto “aberto” para o mercado de trabalho, o meu marido precisa ter morado na República Tcheca por, no mínimo, 6 meses, que serão completos dia 11 de Março! Para meu desespero, fiquei sabendo que só poderia enviar minha aplicação após essa data e ainda esperar o tempo de processamento e, só então, poderia começar a trabalhar. Ou seja, previsão de início na empresa só para segunda quinzena de Abril.

Pensem no meu desespero. Estou desde Agosto/14 sem trabalhar. Não aguento mais assistir Netflix o dia todo. Estou ficando burra e preguiçosa, fora os quilos a mais aparecendo na minha barriga. E antes que vocês pensem em me dar conselhos sobre exercício físico: não dá pra eu fazer uma caminhada na rua numa temperatura de -10 graus (nem no Brasil em temperaturas amenas eu fazia isso, que dirá aqui!) e estou com um problema no meu joelho. Estou ficando louca.

Vendo esse meu desespero por atividades, uma amiga – Tcheca – mãe de dois filhos lindos, teve uma ideia. Conversou com a professora da menina (mais velha, 7/8 anos) e sugeriu que eu fosse até a escola fazer uma apresentação sobre o Brasil para a turma dela. É uma turma especial, de 12 alunos, que são mais avançados que os outros (QI alto e tal). Eles têm aulas de inglês normalmente, mas não é uma escola bilíngue, então o conhecimento da língua é básico, com exceção de 3 ou 4 alunos que falam inglês por causa dos pais. E eu aceitei, alegremente, esse desafio.

Cheguei na escola – pública – e junto com a Magdalena (quem teve a ideia), fomos pra sala de aula esperar pelos pequenos. Já comecei babando pela sala de aula. Super linda!

Sala de aula

sala de aula

Super equipada!

sala super equipada!

 

Os pequenos foram chegando aos poucos, e ficaram conversando sobre quais perguntas fariam pra mim – foi combinado que eles trariam perguntas que eu responderia (ou tentaria) ao final da apresentação. A professora incentivava-os a escrever as perguntas em Inglês então eles ficavam perguntando uns aos outros como se falava isso e aquilo em inglês.

Turma ainda incompleta...

Turma ainda incompleta…

Foi MUITO legal. A apresentação durou cerca de uma hora, durante a primeira aula deles. Juntaram duas turmas, então tinha um total de vinte alunos + duas professoras + a mãe-intérprete que foi quem teve a ideia. Sugeri que sentássemos em roda, e, minutos depois, todos estavam prontos. A professora fez uma introdução, mostrando num globo onde ficava o Brasil e a diferença de tamanho entre Brasil e República Tcheca. Mas eles pareciam já saber daquilo tudo, o que me deixou um pouco nervosa porque eu havia preparado uma apresentação englobando vários aspectos do Brasil e comecei a temer que nada daquilo fosse ser novo pra eles. Então comecei perguntando o que eles sabiam sobre o Brasil, e eles sabiam várias coisas. Sabiam que era muito grande, que a Floresta Amazônica fica lá, que o maior rio do mundo fica lá, que o esporte favorito é o futebol, que temos muitas frutas, que tem muitos macacos na floresta etc.

Comecei passeando com eles pela geografia do Brasil: a divisão das regiões, principalmente a região onde fica a Floresta Amazônica e a região de onde eu venho. Comparamos o tamanho dos estados do Brasil com a República Tcheca – todos ficaram impressionados em saber que é menor que o estado do Maranhão. Falei que somos o único país a falar Português na América do Sul e ensinei algumas palavras pra eles. Falei também que na época de Natal nós no Brasil vamos à praia, e eles também ficaram impressionados em saber que não tem neve lá. Mostrei fotos do que as crianças fazem na praia, brincando de construir castelos na areia, nadando naquele mar lindo rodeado por árvores verdinhas! Mostrei imagens da Floresta Amazônica, dos animais que vivem lá, perguntei o que eles fariam se vissem uma onça-pintada. Falei sobre o futebol, mostrei uma foto do Neymar e todos sabiam quem era – exceto as professoras! Conversei com eles sobre o que comemos no Brasil, sobre brigadeiro, pizza doce e abacate batido com leite! Falei que temos a primeira mulher-presidente, e perguntei quem dali seria a primeira mulher-presidente da República Tcheca (uma menininha levantou a mão rapidinho!). Falei do Carnaval, que o país todo pára pra dançar e se divertir (mostrei imagens inocentes de carnaval de rua). Uma menina levantou a mão e, espantada,  perguntou “até as escolas param de ter aulas?”.

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E aí vieram as perguntas. Algumas eu não soube responder, como “Qual o tamanho do Rio Amazonas?”, a que eu respondi “Não sei ao certo, mas são muitos e muitos quilômetros!” (escapei na tangente), ou “Quantos times de futebol tem no Brasil?”, resposta: “Centenas. Mas diria que dez times principais” – entendedores de futebol, podem me zoar, não sei de nada. Dez, pff, imagina, dez!  Perguntaram também coisas tipo “No Brasil planta-se pepinos?” e “Qual a bebida mais popular?”, a que eu respondi ser a caipirinha, conhecida mundialmente, feita de bebida alcoólica e limão – mas o limão verdinho, e não o amarelo que eles estão acostumados a ver aqui. Ao que um garoto levanta a mão e pergunta: “Por que o limão verde e não o amarelo?” hehehe. Crianças atentas e inteligentes 🙂

Levei brigadeiro pra eles, que se lambuzaram todos! Levei também uma folha com desenhos para colorir, com vários animais da Floresta Amazônica.

Brigadeiros brasileiros pra garotada :)

Brigadeiros brasileiros pra garotada 🙂

Distribuindo de brigadeiros

Distribuindo de brigadeiros

Foi uma experiência única! Muito bom estar rodeada de crianças curiosas! Me deu muita saudade dos tempos de escola e uma vontade louca de estudar.

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As professoras me agradeceram efusivamente e me deram um presentinho!

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Adorei! Se eu pudesse, sairia de escola em escola levando um pouco de conhecimento e cultura do Brasil pras crianças daqui. Espero que eu tenha feito um bom trabalho de ‘embaixadora’ do meu país!

P.S. Fiquei sabendo que, depois que eu fui embora, eles ficaram se perguntando se eu já tinha encontrado uma onça-pintada alguma vez e o que será que eu tinha feito pra escapar dela 🙂

 

 

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Procura por Aptartamento & Nosso bairro

Desde que ficamos sabendo da mundança pra cá, mais ou menos em Março deste ano, começamos a procurar apartamentos na internet. Totalmente às escuras, sem saber onde fica o quê, fizemos buscas e mais buscas no Google. Mas de Março a Setembro são seis meses, e isso é um tempo muito grande quando se trata de busca de apartamentos, pois a maioria estava disponível para aquele mês, ou os meses próximos. Continuamos procurando pra ir tendo noção dos preços e bairros, mas pegamos pra valer na busca mesmo lá pra Junho/Julho.

Acontece que Brno é uma cidade com muitas universidades, e o ano letivo aqui começa em Setembro. Então o que ocorre é que nos meses que antecedem o início às aulas, os estudantes se unem e alugam um monte de apartamentos pela cidade, e não sobra muita coisa. Como nós tínhamos certas exigências para o lugar que fôssemos morar (tem que ter sacada, por exemplo, por causa do Charlie, e o Lucas não abre mão da máquina de lavar louças, rs), resolvemos procurar pra valer e fechar um contrato o quanto antes pra garantir algo bom.

Existem vários sites de busca de apartamentos, e a maioria são em tcheco somente, mas usando o Google Chrome, dá pra traduzir as páginas e procurar na boa. Os sites que olhamos foram:

www.bravis.cz

www.sreality.cz

http://www.foreigners.cz

http://www.bezrealitky.cz

A vantagem do último é que são anúncios diretamente com o proprietário, então você evita de ter que pagar comissão pras agências. A vantagem de ter agência é que na maioria das vezes eles falam inglês, e seu senhorio provavelmente não vai falar nada além de tcheco, então eles fazem o meio-campo pra você, enviam contrato em Inglês além de toda a comunicação em Inglês diretamente com ele pelo tempo do seu contrato.

Nós acabamos alugando com agência porque o apartamento que gostamos estava listado em uma, então não teve muito jeito.

Demos sorte porque no mês de Junho, enquanto estávamos firmes nas buscas, o Radek esteve em Brno a trabalho, e fez o maior favor do mundo de ir ver o apartamento pessoalmente pra gente. Tirou fotos, fez desenho da planta, e disse que ele mesmo já havia morado no bairro, que é excelente, localização perfeita e preço bom. Não deu outra, fechamos na hora. Estava concorrido, tinha mais gente querendo o apartamento, então pra garantir, iniciamos nosso contrato em Agosto (pagamos o mês inteiro de Agosto sem ter morado, snif snif).

Quando estávamos na busca, notamos umas coisas estranhas nos anúncios:

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Observe as opções de tipos de apartamento, na coluna ao lado esquerdo, no fundo preto

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1+kk   1+1     WTF?

O que é isso? 1+kk? 2+1?

É o seguinte: por aqui eles não dividem o apartamento ou casa como nós dividimos no Brasil. No Brasil, falamos que o apartamento tem 2 ou 3 quartos, e já se pressupõe que ele, além dos quartos mencionados, tem sala, cozinha e banheiro.

Pois bem, aqui eles falam o total de salas que o apartamento tem. O meu apartamento é de 2 quartos (+ sala, cozinha e banheiro, como no Brasil), mas aqui nós dizemos que meu apartamento é um 3+kk. Ou seja, 3 salas (uma delas é a sala, então os outros consequentemente são os quartos), e o KK significa a cozinha. Se estiver só KK significa que a cozinha é uma ‘kitchen corner’, ou seja, faz parte da sala, como as salas conjugadas do Brasil, que tem acesso à cozinha. Se for 3+1 significa que a cozinha não é parte da sala, mas é um cômodo isolado. Tendeu? Meio esquisito mas é isso aí!

Nosso bairro aqui é super bonitinho!!! Não sei ainda se o bairro tem nome, ou se usam só a avenida principal que passa aqui como referência, a VeveříEla é uma avenidona que liga o centro ao norte da cidade. Nosso prédio fica à duas quadras dela, o que é uma conveniência muito grande, porque é nela que passam os bondes pro centro e pra IBM (norte).

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A distância da nossa casa pro centro é de 10 minutos de caminhada, bem pertinho, e é uma caminhada bem gostosa de fazer (se não estiver chovendo ou -10 de temperatura). Daqui pra IBM são 15 minutos de bonde, uma distãncia de mais ou menos 4 kilômetros, o que não é nada mal também. Num dia com mais disposição e tempo agradável, dá pra ir andando…

O bairro é bem residencial, mas tem pequenos comércios também, vendinhas, lojinhas de conveniência, mini padarias, farmácias, bares (claro!). Nas avenidas maiores ao nosso redor, tem restaurantes maiores, lojas de roupas etc. Aqui por perto só não tem bancos e shopping center. Pros bancos, temos que ir até a próxima parada do bonde no centro, ou descer à pé. Tem todos os bancos no mesmo lugar. E shopping também no centro, até agora só fui em um mas tem outro com cinema bem no centrão.

Nosso prédio é esse à esquerda, verde...

Nosso prédio é esse à esquerda, verde…

O prédio verde é o nosso

O prédio verde é o nosso

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Rua tranquilex

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Aqui os carros param assim, em cima da calçada. Não tem espaço se todos pararem em filas, então pode estacionar assim sem problemas. E as calçadas são bem largas, então não atrapalha o trânsito dos pedestres, e a rua fica livre para o trânsito dos carros!

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Rua Veverí, sentido centro

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Ponto de bonde na Veverí (aqui eles falam estação, e não parada ou ponto)

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Nessa calçadinha que você espera pelos bondes

Cozinha do apartamento

Interior – Cozinha 

Vista da entrada = sala

Vista da entrada = sala

vista geral

vista geral

Varanda/terraço enorme

Varanda/terraço enorme

E aí fica um pouquinho mais de Brno e da nossa casa pra vocês 🙂

O primeiro…

Lá vou eu tentar manter um blog de novo. Já fiz isso antes, nas bobeiras de adolescente que quer escrever sobre qualquer coisa, e também quando morei no Canadá. Esta vez vai ser mais ou menos como a última, mas vou tentar com mais afinco.

Pra quem ainda não sabe, o Lucas e eu estamos de mudança pra República Tcheca (YEY!).
A reação mais comum que nós tivemos até agora quando contamos isso pras pessoas é “Ahn? oi? República Tcheca? Fazer o que?”. E aí depois que explicamos tudo (o que vou fazer já já, aguenta mais um pouco), as pessoas ficam empolgadas com a gente!
Então resolvi fazer esse blog pra ir relatando as histórias e também registrando todo o processo de mudança. É bom pra mim, pois ajuda a controlar a ansiedade que me corrói, e é também um jeito de as nossas famílias e amigos irem acompanhando como andam as coisas por lá.
Uma outra coisa que me motivou a escrever o blog foi a falta de informação que tem sobre a República Tcheca, mais especificamente sobre a cidade de Brno (que é pra onde estamos indo). Tem quase nada de informação e o que tem tá espalhado entre blogs de expatriados e mochileiros, que não refletem a nossa situação. Tem comunidades no Facebook do tipo “Brasileiros em Praga”, “Brasileiros na República Tcheca” e tal, mas são muito paradas e não tem nada de útil a não ser convites para shows do Roupa Nova. Então daí veio a idéia de começar a escrever o blog desde já!

 

 

Bom, resumidamente, o que aconteceu foi: O Lucas se candidatou à uma vaga na IBM de Brno, fez várias entrevistas, passou nelas, e recebeu uma proposta que ele aceitou! E agora a IBM está fazendo o processo de visto de trabalho pra nós, e devemos embarcar em Agosto! É um processo chatinho e demorado esse de visto e documentação, então não temos ainda uma data certa de ir, mas deve ser no final de Agosto.

O que é ser expatriado? É quando a empresa fala assim “Fulano, precisamos que você faça seu trabalho no país X, então vamos pagar tudo pra você ir pra lá com a sua família: sua casa, escola pros seus filhos, passagens de avião todos anos pra você visitar seu país, etc etc etc.” Ou seja, é o paraíso. Deve ser bom demais. Mas não é nosso caso.
A iniciativa de procurar trabalho fora do Brasil partiu do Lucas, ele foi e conseguiu a vaga, não teve intervenção nenhuma por parte da empresa. Ele participou de um processo seletivo que estava aberto interna e externamente e foi selecionado. Ele vai se desligar da IBM Brasil e ser contratado na IBM República Tcheca.
Existe um programa na IBM que faz essa transição do funcionário, eles dão bastante suporte, explicam detalhadamente como será o processo, colocam à nossa disposição consultorias de imigração pra fazer a papelada, também consultoria financeira pra explicar como funcionam as coisas por lá, como imposto de renda, aposentadoria etc, então temos o suporte por parte da IBM Brasil, mas só!

Por isso que eu digo que a nossa experiência não será a de um expatriado, porque nós é quem vamos correr atrás de tudo: apartamento, carro, móveis, enfim, tudo. O que torna a experiência toda muito mais interessante, porque vai ser tudo absolutamente novo pra gente – nunca colocamos o pé na Europa – e mesmo já tendo morado fora, não será a mesma coisa. Não temos a menor idéia da cultura Tcheca, da língua, de como é viver lá! Vai ser muito legal descobrir isso tudo!!!

Então eu vou contando por aqui tudo o que já sabemos sobre a República Tcheca e Brno, e assim vocês podem ir acompanhando com a gente mais essa mudança que vamos fazer! 🙂

Bem vindos ao nosso blog, fiquem à vontade pra comentar, rir da nossa cara, dar idéias e sugestões, criticar, enfim, queremos compartilhar essa fase com vocês….

Um abração!

 

 

Nat, Lucas e Charlie

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