Špilberk Castle

Vista da sacada antes de o frio chegar

Vista da sacada antes de o frio chegar

No primeiro post de 2015 vou falar sobre um dos lugares mais legais que já visitei por aqui. O Castelo Špilberk é um castelo-fortaleza, daqueles que eram feitos pra proteger a cidade, embora tenha sido construído para ser moradia do Rei.

Eu tenho o privilégio de ver esse castelo da minha sacada todos os dias, pois moro praticamente ao lado dele. Já o vi na chuva, na neve, em dias de sol, à noite. Já não o vi por conta de tanta neblina que as vezes tem nessa parte mais alta da cidade. É lindo demais, principalmente à noite quando é todo iluminado…

No Ano Novo, teve fogos e mais fogos ao redor dele, e vimos aqui, de camarote. No dia 1o de Janeiro, soltaram os fogos oficiais da cidade, que foi onde, onde? No castelo. Foi muito bonito.

Feliz Ano Novo!!

Feliz Ano Novo!!

Feliz Ano Novo!!

Feliz Ano Novo!!

 

Vamos lá para um pouquinho de História e aí conto de como foi minha visita.

O castelo Špilberk foi construído na metade do século 13 pelo Rei Tcheco Přemysl Otakar II. Durante os séculos 17 e 18, ele foi convertido em um forte, foi quando as casamatas do castelo (lugar onde se abrigava armas) foram adaptadas pra serem celas e abrigar mais de 200 prisioneiros. O exército alemão ocupou o castelo entre 1939 e 1941 e fizeram várias modificações nele, e em 1963 foi transformado em Museu e monumento cultural nacional.

A subida ao castelo já uma atração por si só: um jardim repleto de árvores e a cidade ficando pequena lá embaixo. As árvores completamente sem folhas deram um show à parte. Eu gosto muito dessa paisagem de inverno, então adorei tirar fotos de trocos e galhos se contrastando com o céu branco.

A subida ao castelo

A subida ao castelo

Brno e eu :)

Brno e eu 🙂

A cidade aparecendo lá embaixo

A cidade aparecendo lá embaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muros do castelo

Muros do castelo

Uma das entradas

Uma das entradas

 

 

 

 

 

 

IMG_0041

Quando você visita o castelo, pode escolher entre visitar ele todo ou escolher as partes que quer visitar. São três no total: a torre, as casamatas (que foi a prisão) e o baluarte.

Eu estava com a minha prima, e resolvemos visitar a torre e as casamatas.
Compramos os bilhetes e veio uma moça nos levar até a entrada. Ela deu um folheto que continha o mapa das casamatas convertidas em prisão. Nos deu indicação de por onde começar, e lá fomos nós.

Ponto de partida para a visita à prisão

Ponto de partida para a visita à prisão

Para nossa surpresa, naquele momento só tinha a gente na parte da prisão. E aí você pensa: “Mas que ótimo, o lugar todo só pra vocês!”. Ledo engano. Pensa num lugar sinistro! Tudo à meia-luz, quase escuro, celas e mais celas, e ainda por cima dentro de algumas celas tinha uns bonecos pra demonstrar como eram usadas as salas como cozinha, sala do segurança, etc. É claro que eu tomei o maior susto quando vi os primeiros bonecos, pois não tinha a menor ideia que eles estariam ali.

Bonecos malditos que me assustaram

Bonecos malditos que me assustaram

Sinixxxtro

Sinixxxtro

IMG_0049

IMG_0068 IMG_0048

 

Em cada cela/sala tem uma plaquinha com um número, e você olha o número correspondente no mapa que a moça dá na entrada. E aí tem o detalhamento do que era aquele lugar, como era utilizado, por quanto tempo, modificações feitas etc.

É bem grande o espaço usado como prisão, e muito frio lá dentro.
Havia muitas celas em reforma, e por conta disso, os administradores do Museu cobriam algumas partes com uma lona de plástico, pra evitar água da chuva de entrar em contato direto com as pedras. E aí imagine você, aquele pinga-pinga numa lona de plástico, numa sala vazia, o barulho que faz? Susto número dois. Saí correndo achando que era o barulho de alguém correndo.

A sensação de estar ali dentro é bem diferente. Cada parede carregada de História, é impossível não pensar e voltar no tempo anos e anos…

IMG_0140

Depois de visitar a prisão, fomos à Torre, de onde pudemos ter uma linda vista da cidade. Chegamos a tempo de ver o pôr-do-sol e de ouvir o sino tocar bem acima de nossas cabeças, pontualmente às 16h.

 

IMG_0117

Andar mais alto da torre

Subida para a Torre

Subida para a Torre

Pátio

Pátio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem vem a Brno deve visitar o castelo, e sem pressa. Sentar nos bancos do jardim, apreciar a vista da cidade, explorar o que ele tem a oferecer. Vale muito a pena, e além de tudo é super barato. Essas duas partes do castelo ficaram por 80 coroas (cerca de 10 reais) por adulto.

Com certeza é um lugar que vou visitar pelo menos uma vez por estação do ano! 🙂

Ossário de Brno

Muitas coisas têm acontecido por aqui que merecem postagens, mas tudo está um pouco atrasado porque estou com visita em casa! Minha prima Isabelle fez 18 anos e ganhou um super presentão dos pais: veio passar quase um mês aqui em Brno com a gente e nesse meio tempo fizemos umas viagenzinhas por aí, que eu escreverei sobre, em breve.

Aproveitei a visita da Isa pra conhecer vários lugares de Brno que eu não tinha conhecido ainda. Um dos primeiros lugares que fui com ela foi o ossário que fica na Igreja de São Tiago. Eita. Nunca tinha parado pra escrever isso em Português. É a St. James Church.

A história é a seguinte: como em toda igreja, havia um cemitério nos fundos, datado do século 13. Mas por causa das pragas que assolaram a Europa, a capacidade do cemitério foi atingida rapidamente, então eles adotaram um novo sistema de enterro, onde retirava-se o cadáver já enterrado há muito tempo e enterrava-se um novo cadáver no lugar. Colocava-se, então, esses ossos dos cadáveres exumados em uma cripta no subsolo da igreja. Essa cripta foi se enchendo e então construíram um ossário adjacente à cripta, que também foi cheio rapidamente. Quando ambos os “depósitos” se encheram, a porta de conexão com a igreja foi selada.

Em 1784, houve uma reforma que aboliu os cemitérios em igrejas por razões sanitárias, então as paredes em torno da igreja (onde ficava o cemitério) foram demolidas, e o solo pavimentado. E o ossário caiu no esquecimento.
Foi quando, em 2001, numa escavação arqueológica no terreno da praça onde fica a igreja (haveria uma reforma), encontraram tudinho lá embaixo. Imaginem a surpresa. Mais de 50 mil pessoas enterradas lá, vítimas da praga medieval e epidemias de cólera, e também pessoas vítimas das guerras que ocorreram por aqui. Tudo isso “guardado” no subsolo da igreja por anos e anos!

Por causa do mofo e umidade, se não fossem tratados, os ossos todos sofreriam decomposição, então a única forma de manter tudo conservado seria reformar a cripta e abrir ao público. Houve limpeza de tudo, é claro, e hoje é um lugar para visitação. É o segundo maior ossário da Europa, perdendo apenas para as Catacumbas de Paris.

O bilhete custa 140 coroas tchecas. É um lugar relativamente pequeno, são três salas, mas é super interessante e vale a pena a visita. Ficamos lá dentro cerca de meia hora.
Ah, fica tocando uma musiquinha sinistra, dá até um medinho hihi

Pilhas e mais pilhas de crânios

Pilhas e mais pilhas de crânios

Sinixxtro

Sinixxtro

Ossos por toda parte

Ossos por toda parte

photo 2 photo 1

Medinho hehe

Medinho hehe

Passeio em Olomouc

Fizemos nosso primeiro passeio pela República Tcheca! 🙂
Uma escola de idiomas daqui organizou esse passeio para estrangeiros, onde iríamos fazer atividades e aprender um pouco de tcheco, além de conhecer a cidade. Pois bem, vamos lá…

Fiquei sabendo desse passeio através do Facebook. Tem vários grupos de estrangeiros que participo e divulgaram por lá. Quando vi, já fiquei empolgada porque além da chance de conhecer uma outra cidade, a chance de conhecer pessoas também era grande – lembrem-se que estamos em busca de amigos! rs

O passeio custaria 300CZK (+ ou – 30 reais) e incluía: passagens de trem (ide e volta), almoço, boliche, atividades e uma pequena surpresa! Super barato! Reservamos nossos lugares e aguardamos ansiosamente pelo dia. Até chamamos alguns amigos brasileiros que já temos pra ir junto, e dois deles foram.

O grupo se encontrou na estação central de Brno as 9h do sábado passado, e seguimos viagem às 9:18. Foi legal andar de trem, me lembrou histórias de assassinatos da Ágatha Christie. Na nossa cabine tinha uma família tcheca, Lucas e eu, e um amigo brasileiro, o Sergi, que trabalha com o Lucas. Já no trem, a moça que era a “tia” do passeio, nos disse que faríamos uma atividade pra conhecermos nossos colegas de viagem. Lucas já olhou pra mim com cara de cocô mas eu consegui fazê-lo participar. Na verdade ele não teve muita escolha, porque 3 pessoas do grupo que estavam em outra cabine, encostaram na porta da nossa e começaram a fazer a atividade com a gente. E foi até legalzinha, porque realmente essas pessoas acabaram se tornando nossos companheiros pelo passeio todo. Um Português (que ficou devendo uma piada de Brasileiro pra gente) e uma Tcheca.

A família que estava na cabine com a gente, ao ouvir todo mundo falando em inglês e falando que somos Brasileiros, puxou assunto e quis saber o que tantos brasileiros estavam fazendo em Brno! hehehe Conversamos um pouco com eles – que mais uma vez quebraram o mito de que tchecos são frios e mal educados – e ao chegar em Olomouc nos desejaram um dia agradável e boa sorte.

Olomouc (lê-se Olomouts) é uma cidadezinha de 100 mil habitantes a 70km de Brno. É a 6a maior cidade do país.

Quando chegamos, encontramos um outro grupo que tinha ido direto pra lá, e no total éramos em umas 30 pessoas. Fomos pra uma praça na cidade onde fizemos mais atividades de interação – que o Lucas e Sergi não participaram, claro. E eu, confesso, só participei porque, como professora que fui, sei o quanto é chato você preparar mil coisas e ninguém estar afim de nada. Então entrei na brincadeira.

Atividades na praça

Atividades na praça

tio e tia

tio e tia

Depois disso, fomos andando até um parque onde teve mais brincadeira. Dessa vez até aprendi umas palavras em Tcheco, conheci pessoas de vários países – Georgia, Croácia, Romênia, Itália, EUA, Israel – o que enriquece bastante a convivência. O dia estava lindo!

IMG_0044 IMG_0047 IMG_0035 IMG_0029

Depois disso, fomos andando (a essa altura nós – Lucas e eu – já estávamos cansados) até a Catedral de São Venceslau, que é o santo padroeiro da República Tcheca (um país onde quase 70% das pessoas é atéia). A catedral é linda, enorme, imponente. Foi a minha primeira catedral européia então a sensação quando eu fazia a curva e ela ia aparecendo na minha frente foi algo indescritível. É um monumento lindo, carregado de história e arte. E olha que, pelo que me disseram, é uma catedralzinha de nada comparada às da Itália.

Esse homem é um italiano que desenha como hobby. Ele estava desenhando a catedral perfeitamente.

Esse homem é um italiano que desenha como hobby. Ele estava desenhando a catedral perfeitamente.

IMG_0090 IMG_0057

Saímos de lá e fomos pra praça central de Olomouc, onde tem duas das principais atrações turísticas da cidade: o relógio astronômico e a coluna da Santíssima Trindade. Passamos umas duas horas nessa praça central, num tempo livre, morrendo de fome pois já era quase 15h, batendo papo, tomando um café, tirando fotos.

IMG_0114 (2) IMG_0130 IMG_0133 (2) IMG_0137 (2)

Quando achamos que finalmente já íamos almoçar, a moça resolveu revelar qual era a pequena surpresa embutida no pacote: uma visita à torre do relógio, onde teríamos uma vista incrível da cidade toda. Lucas, junto com 90% da trupe, torceu o nariz e não quis subir. Todo mundo irritado de forme, e ainda teríamos que subir escadas íngremes e estreitas de uma torre. Eu fui né, já estava ali mesmo, queria a foto, então eu fui.

IMG_0142 (2) IMG_0140 (2)

Depois disso, fomos almoçar, mas andamos uns 25 minutos até o lugar do almoço, que era também o lugar do boliche. O horário do almoço ter sido tarde foi proposital, porque o lugar só serviria a comida pra gente, pois já estava fechado. Então pensando por esse lado, foi ótimo, porque todas as mesas eram nossas e serviram rapidinho visto que já tínhamos escolhido nossos pratos previamente (dias antes).  Depois do almoço, jogamos boliche por uma hora – Lucas ficou em 1o lugar, e eu em 2o, na nossa pista – e nos juntamos pra ir embora. Só teríamos que caminhar mais 45 minutos até a estação de trem. ” ‘CE TA ME ZUANDO NÉ”, disse eu pro monitor, em inglês, e ele disse que não. Andamos por 10 minutos pensando numa forma de não andar o restante – vamos pegar um taxi? vamos pegar um bonde? – até que vimos mais duas pessoas também irritadas com essa história de andar pra caramba então nos unimos e pegamos um bonde. Chegamos na estação em 10 minutos, ainda cedo, sentamos num restaurante e ainda bebemos cerveja/refri enquanto esperávamos o resto do grupo! NAILED IT! 😀

Pegamos o trem, onde eu capotei o caminho inteiro – 1h30 de duração. Chegamos em casa por volta das 21h e 21h30 já estávamos prontos pra dormir! Foi muito cansativo e aprendemos uma lição: viagens em grupo nunca mais. Não servem pra gente. A gente gosta de ir com calma, tirar fotos, ir parando onde a gente bem entende. Todas as vezes que eu parava pra tirar foto de algo, ouvia alguém me gritando pra eu ir logo. Não fizemos nada com calma, a não ser ficar parados por quase duas horas na praça central sem fazer nada morrendo de fome. Lição aprendida, mas conhecemos um pessoal novo e já podemos riscar uma cidadezinha da República Tcheca da nossa lista 🙂

Próximo passeio – Viena ou Praga?